Introdução

O suicídio é uma das principais causas de mortalidade no mundo. A Organização Mundial da Saúde (, ) estima que, para cada suicídio consumado, ocorram cerca de vinte tentativas e que, em 2021, 727 mil pessoas morreram por suicídio, sendo essa a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, entre 2013 e 2023, foram registrados 144.566 óbitos, com tendência crescente entre adolescentes, especialmente meninas de 15 a 19 anos, e projeção de aumento da taxa nacional até 2028 (; ). No Estado do Rio de Janeiro (), o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registrou mais de 15 mil casos de violência autoprovocada em 2024, concentrados principalmente entre adolescentes do sexo feminino de 10 a 19 anos.

O suicídio é compreendido como um ato deliberado de pôr fim à própria vida, geralmente precedido por um processo que inclui pensamentos suicidas, planos e tentativas (). A ideação suicida envolve cogitações persistentes sobre a morte e comportamentos autodestrutivos, constituindo importante preditor de tentativas e óbitos (). Esse tipo de pensamento tende a emergir com maior frequência durante a adolescência, com prevalência crescente de aproximadamente 1% aos 10 anos para cerca de 30% aos 18 anos (). Entretanto, informações sobre ideação e planejamento suicida ainda são limitadas, especialmente entre adolescentes, em razão da dificuldade de mensuração e identificação. Portanto, torna-se imprescindível aprofundar a compreensão dos fatores associados à ideação suicida na adolescência, etapa caracterizada por vulnerabilidades específicas, contribuindo para a elaboração de estratégias preventivas no contexto escolar, voltadas à promoção do bem-estar, à detecção precoce e à redução dos riscos psicossociais em espaços educativos.

A adolescência representa um período particularmente sensível ao surgimento da ideação suicida, marcado por intensas mudanças biopsicossociais e maior vulnerabilidade ao sofrimento psíquico (). Nesse período, a ideação suicida está associada a múltiplos fatores de risco, que envolvem dimensões biológicas, psicológicas e socioculturais. Entre esses fatores, destacam-se a exposição à violência, abuso sexual, discriminação e instabilidade familiar (; ; ). Pesquisas indicam que adolescentes que vivenciam situações de violência no ambiente familiar ou comunitário, ou que passaram por experiências adversas precoces, apresentam maior probabilidade de relatar pensamentos suicidas (; ; ; ). No Brasil, identificaram uma prevalência de ideação suicida de 7.9% entre estudantes da cidade de Teresina, associada à violência sexual escolar e à ausência de convivência com os pais. , por sua vez, encontraram prevalência de 47.2% entre jovens paulistas, associada à orientação sexual, discriminação e vulnerabilidades escolares. Diferenças de gênero também são evidenciadas, meninas tendem a apresentar mais tentativas, enquanto meninos concentram os casos de maior letalidade (; ). Esses dados indicam a necessidade de considerar os contextos múltiplos e interseccionais de risco na compreensão da ideação suicida entre adolescentes.

Por outro lado, os fatores de proteção psicossociais têm se mostrado relevantes na redução da ideação suicida, atuando como importantes atenuadores e/ou impedidores frente às adversidades (; ; ). Dentre esses fatores, destacam-se o apoio familiar, a conexão com a escola e o sentimento de pertencimento. A literatura tem demonstrado que o apoio social percebido por estudantes, especialmente aquele proveniente da família, dos pares e dos professores, atua como um recurso protetivo fundamental frente aos efeitos adversos da violência, da negligência e das experiências discriminatórias (; ; ; ). Além disso, o sentimento de pertencimento à comunidade, que se refere a percepção de ser aceito, valorizado e integrado em um grupo ou território, sustentado por laços de confiança, apoio mútuo e compartilhamento de valores, tem se mostrado especialmente eficaz na redução da ideação suicida, inclusive entre adolescentes expostos a múltiplas vulnerabilidades, como histórico de vitimização, transtornos mentais ou pertencimento a minorias sexuais e de gênero (; ; ; ). Nesse sentido, a investigação conjunta desses fatores se revela promissora, especialmente em contextos escolares caracterizados por vulnerabilidade social.

Embora as pesquisas sobre ideação suicida na adolescência tenham avançado nos últimos anos, ainda existem lacunas importantes quanto à análise integrada dos fatores de risco e proteção ao longo dos diferentes estágios dessa fase do desenvolvimento. A maioria dos estudos concentra-se em adolescentes do ensino médio, enquanto há menor atenção dedicada aos estudantes dos anos finais do ensino fundamental, mesmo diante da crescente evidência de que comportamentos suicidas podem emergir antes dos 15 anos (). Considerando que a eficácia das estratégias preventivas em contextos escolares depende da identificação precoce e de intervenções adaptadas (), torna-se fundamental incluir esse grupo etário nas investigações. Nessa direção, compreender os mecanismos protetivos e de riscos pode favorecer a construção de intervenções educativas mais sensíveis às especificidades dessa população, contribuindo para a promoção do bem-estar e a prevenção do suicídio na escola.

Este estudo justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão dos fatores de risco e proteção associados à ideação suicida na adolescência, fenômeno de elevada relevância para a saúde pública e com alta prevalência global (), cujas repercussões atravessam diretamente os processos de ensino, aprendizagem e desenvolvimento no contexto educacional. A literatura indica que a ideação e as tentativas de suicídio resultam de uma complexa interação entre características individuais, relações familiares e aspectos contextuais (; ). Entre os fatores de risco, destacam-se a vitimização no contexto da violência intrafamiliar e a experiência cotidiana de discriminação. Em contrapartida, a percepção subjetiva de apoio social e o sentimento de pertencimento à comunidade mostram-se como importantes recursos de proteção, mesmo em contextos adversos (; ). Assim, este estudo tem por objetivo testar um modelo preditivo da ideação suicida em adolescentes do ensino fundamental, considerando como preditores os fatores de risco (violência intrafamiliar e discriminação cotidiana), os fatores de proteção (percepção de apoio social e pertencimento comunitário) e a variável demográfica sexo. A partir da revisão de literatura, foram consideradas as seguintes hipóteses: H1: a ideação suicida tem correlação positiva com a violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana; H2: a ideação suicida tem correlação negativa com a percepção de apoio social e pertencimento comunitário; H3: o sexo feminino está associado a maior chance de ideação suicida; H4: a violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana são preditores positivos da ideação suicida; H5: a percepção de apoio social e o pertencimento comunitário são preditores negativos da ideação suicida.

Método

Participantes

O estudo foi desenvolvido com uma amostra de conveniência. Configurou-se como uma pesquisa descritiva, correlacional, preditiva, com delineamento transversal e abordagem quantitativa. Participaram 659 alunos, com idades entre 10 e 18 anos (M= 12.37 anos; DP=1.50; Missing=2.7%) de ambos os sexos que frequentam os Anos Finais do Ensino Fundamental (6º, 7º, 8º e 9º ano) de 8 escolas públicas, situadas em regiões de vulnerabilidade social e que atendiam majoritariamente estudantes de baixo nível socioeconômico, em uma cidade localizada no Estado do RJ. O tamanho da amostra foi definido para atender a um requisito para realizar a Análise de Regressão que, segundo recomendação de é preciso ter pelo menos 30 sujeitos para cada variável preditora. A amostra foi composta por 290 (44%) meninas e 367 (55.7%) meninos. Do total de alunos, 263 cursavam o 6º ano (39.9%), 117 frequentavam o 7º ano (17.8%), 203 frequentavam o 8º ano (30.8%) e 75 alunos estavam cursando o 9º ano (11.4%).

Instrumentos

Fatores de risco

Global school-based student health survey (GSHS). Instrumento proposto pela Organização Mundial de Saúde () e outras entidades para avaliação do estilo de vida e comportamentos de risco à saúde em adolescentes, como uso de álcool, drogas, hábitos alimentares e de higiene, atividades sexuais e comportamento suicida. O instrumento apresenta 63 itens, dos quais três referem-se à avaliação do comportamento suicida (ideação, planejamento e tentativa). A ideação suicida, foco deste estudo, teve seu item traduzido para o português e foi indagada pela questão "Nos últimos 12 meses, você considerou seriamente a tentativa de suicídio?" (Opções de resposta: "sim" ou "não"). O planejamento suicida é abordado com a pergunta "Nos últimos 12 meses, você fez um plano sobre como tentaria o suicídio?" (Opções de resposta: "sim" ou "não"). Já a tentativa de suicídio é investigada com a pergunta "Nos últimos 12 meses, quantas vezes você tentou suicidar-se?" (Opções de resposta: "nenhuma vez", "1 vez", "2 a 3 vezes", "4 a 5 vezes" ou "6 ou mais vezes").

Questionário da juventude brasileira (QJBra - versão fase II). É um instrumento utilizado para examinar fatores de risco e proteção de adolescentes e jovens (14 a 24 anos) brasileiros de diversos contextos e nível socioeconômico. O questionário foi desenvolvido por e contém 77 questões de múltipla escolha, que avaliam vários fatores de risco e proteção de adolescentes. No presente estudo, foi selecionada a seguinte parte referente a analisa da exposição à violência intrafamiliar, com cinco itens que avaliam a frequência dos maus tratos: (1) ameaça ou humilhação; (2) soco ou surra; (3) agressão com objeto; (4) mexer no meu corpo contra minha vontade; (5) relação sexual forçada. Os itens estão dispostos numa escala tipo Likert de cinco pontos (0 = nunca a 5 = sempre). No presente estudo foi encontrada um índice de consistência interna de α=.78.

Escala de discriminação cotidiana (EDC). Foi desenvolvida por com intuito de avaliar uma ação como injusta ou imerecida, explicada pelo pertencimento de uma pessoa a um grupo socialmente estigmatizado. A escala foi adaptada por para a população de adolescentes e jovens brasileiros (11 a 29 anos). A escala é composta por 11 itens (por exemplo “As pessoas ameaçam ou provocam você”; α = .85), numa escala de resposta tipo Likert de seis pontos (0 = nunca a 5 = sempre), em que escores mais altos indicam maior percepção de discriminação. Na presente amostra foi encontrado um índice de consistência interna de α= .84.

Fatores de proteção

Escala de percepção de apoio social (social support appraisal - SSA) Foi desenvolvida por para avaliar a percepção de apoio social de crianças e adolescentes em relação à família, amigos e professores. A versão breve da escala foi validada para a população de adolescentes brasileiros por , apresentando valores de alfa de Cronbach entre .71 e .83 para os fatores e um valor total de α = .89. O instrumento é composto por 23 itens (por exemplo “Eu sou bastante querido pela minha família”) dispostos em uma escala Likert de seis pontos, variando de "discordo totalmente" (1) a "concordo totalmente" (6). A escala é dividida em quatro fatores, cada um com os seguintes índices de consistência interna na presente amostra: Percepção de apoio social da família (α = .87); Percepção de apoio social dos amigos (α = .81); Percepção de apoio social dos professores (α = .82); Escore total (α = .87). Escores mais altos na SSA indicam níveis maiores de percepção de apoio social. Neste estudo, para identificar a influência da percepção de apoio social específica pelos alunos, não foi considerado o apoio social de outras fontes.

Índice de sentido de comunidade (Sense of Community Index - SCI). Foi originalmente desenvolvido por e adaptado para uma amostra de crianças e adolescentes (8 a 13 anos) brasileiros por . Composta por nove itens (por exemplo, “Eu me sinto em casa nesse bairro”), que avaliam a relação da pessoa com sua comunidade/bairro, divididos em dois fatores, com os seguintes valores de consistência interna no estudo de validação e na presente amostra: (1) Vínculo positivo com a comunidade (α= .74; α= .76;); (2) Relações comunitárias entre os vizinhos (α= .58; α= .72). As respostas que estão dispostas numa escala tipo Likert que varia de cinco pontos (0=discordo muito a 4=concordo muito), em que valores mais altos.

Questionário sociodemográfico. Instrumento elaborado para este estudo com intuito de investigar as características sociais e demográficas dos participantes, tais como idade, sexo e ano escolar.

Procedimento

Coleta de dados

A coleta de dados ocorreu em escolas públicas do Estado do RJ, após autorização da Secretaria de Educação e aprovação do Comitê de Ética da universidade (CAAE: 49261221.5.0000.5282). As escolas selecionadas foram contatadas para apresentação do projeto e obtenção da permissão institucional. Pais e responsáveis participaram de reunião informativa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). No início da aplicação, os estudantes receberam explicações sobre o objetivo do estudo e assinaram o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), o objetivo do estudo foi reapresentado. A participação foi voluntária. Em seguida, os instrumentos foram aplicados coletivamente em sala de aula, com duração aproximada de 70 minutos, por uma mestranda e uma doutoranda treinadas, no horário de aula combinado com os professores, sem prejudicar as atividades acadêmicas. Aos participantes foi garantida a confidencialidade dos resultados, e em nenhum momento escreveram seu nome ou qualquer dado que pudesse identificá-los. As pesquisadoras leram os itens em voz alta e ofereceram suporte e encaminhamento quando algum estudante relatava desconforto. A coleta foi realizada entre maio e julho de 2022.

Análise de dados

Os escores das escalas e os valores globais obtidos dos instrumentos foram inseridos em um banco de dados para a realização de análises estatísticas, utilizando o software IBM SPSS, v. 29.0. Inicialmente, foram verificadas a presença de dados faltantes, outliers uni e multivariados e a normalidade da distribuição amostral foi testada pelo teste de Shapiro-Wilk. Dado que a maioria das variáveis não apresentou distribuição normal, foram aplicados procedimentos de bootstrapping para robustez das análises. Na sequência, para investigar a associação entre as variáveis exposição à violência na família, discriminação cotidiana, sentimento de pertencimento à comunidade, percepção de apoio social e ideação suicida, utilizou-se o coeficiente de correlação de r de Pearson. Por fim, foi aplicada uma regressão logística binária (método backward), a fim de testar se a ideação suicida pode ser predita pelas variáveis sexo (feminino foi computado como 0 e masculino como 1), exposição à violência na família, discriminação cotidiana, sentimento de pertencimento à comunidade (vinculação positiva e relações comunitárias) e percepção de apoio social (amigos, família e professores).

Considerações éticas

A pesquisa foi autorizada pela Secretaria de Educação e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade dos autores (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, CAAE: 49261221.5.0000.5282). Todos os responsáveis pelos estudantes assinaram o TCLE e os alunos assinaram o TALE antes do início da coleta de dados, e foram garantidos anonimato, sigilo e confidencialidade das informações.

Resultados

A Tabela 1 apresenta a correlações entre exposição à violência na família, discriminação cotidiana, sentimento de pertencimento à comunidade, percepção de apoio social e ideação suicida. Nota-se que a exposição à violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana associaram-se positivamente (moderada magnitude) com a ideação suicida dos estudantes. O sentimento de pertencimento à comunidade (vinculação positiva) e a percepção de apoio social dos amigos, família e professores associam-se negativamente (fraca e moderada magnitudes) com a ideação suicida dos alunos.

Tabela 1Correlações entre exposição à violência na família, discriminação cotidiana, sentimento de pertencimento à comunidade, percepção de apoio social e ideação suicida 
Variáveis 1 2 3 4 5 6 7
1. Exposição à violência
2. Discriminação cotidiana .40**
3. Pertencimento à comunidade - Vinculação Positiva -.10** -.07
4. Pertencimento à comunidade - Relações comunitárias -.05 -.03 .40**
5. Percepção de apoio social - Amigos/as -.11** -.19** .28** .23**
6. Percepção de apoio social - Família -.27** -.26** .35** .21** .48**
7. Percepção de apoio social - Professores/as -.13** -.17** .26** .26** .429* .49*
8. Ideação suicida .34** .33** -.20** -.02 -.17** -.35* -.11*
M 1.96 19.81 12.77 7.16 25.54 28.40 19.39
DP 3.05 12.54 4.97 3.16 7.10 7.21 6.22

* p < .05, ** p < .001.

A Tabela 2 apresenta a regressão logística binária com a variável ideação suicida como desfecho. O modelo foi estatisticamente significativo [ χ 2 (6) = 162.78, p < .001; Nagelkerke R2 = .33], sendo capaz de prever adequadamente 81.4% dos casos. O modelo apresentou 94.60% de especificidade e 39.10% de sensibilidade.

Tabela 2Classificações Previstas e Precisão do Modelo com Ideação Suicida 
Valores preditos
Ideação Suicida Classificações corretas
Valores Observados Não Sim %
Ideação suicida Não 474 27 94.60
Sim 95 61 39.10
Classificação correta (total) 81.4

A Tabela 3 apresenta os coeficientes para todos os preditores significativos. Os resultados indicaram que o sexo masculino tem 1.84 vezes mais chance de estar no grupo sem ideação suicida, representando uma redução de aproximadamente 46% de apresentar ideação suicida quando comparado com o sexo feminino. Os resultados indicaram que a cada um ponto de aumento na exposição à violência intrafamiliar e discriminação cotidiana aumenta em 15.5% e 4.4% as chances de apresentar ideação suicida, respectivamente. Por fim, a cada um ponto de aumento em vinculação positiva do pertencimento à comunidade e percepção de apoio social da família, diminui em 7% e 7.5% as chances de apresentar ideação suicida. Já relações comunitárias com os vizinhos do pertencimento à comunidade apresentou efeito marginal e positivo, sugerindo leve aumento de 8% da probabilidade de ideação suicida. As outras variáveis não apresentaram significância estatística no modelo.

Tabela 3Variáveis Preditoras de Ideação Suicida 
Preditores B p Odds Ratio OR [95% I.C.]
Limite Inferior Limite Superior
Intercepto -.32 .53 .72 - -
Sexo -.61 .004 1.84 1.21 2.80
Exposição à violência intrafamiliar .14 .001 1.15 1.08 1.23
Discriminação cotidiana .04 .001 1.04 1.02 1.06
Pertencimento à comunidade - Vinculação Positiva -.07 .003 .93 .88 .97
Pertencimento à comunidade - Relações comunitárias .07 .046 1.08 1.00 1.16
Percepção de apoio social - família -.07 .001 .93 .89 .95

Discussão

A exposição à violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana apresentaram associações positivas de magnitude moderada com a ideação suicida. Esses achados confirman a H1 e corroboram estudos anteriores que mostram que a presença de eventos adversos, como conflitos familiares e experiências de preconceito, com o sofrimento psíquico aumenta a manifestação de pensamentos suicidas entre adolescentes (; ; ). Para , vivências de violência no ambiente doméstico podem comprometer o desenvolvimento emocional e reduzir estratégias de enfrentamento saudáveis, favorecendo sentimentos de desesperança. Da mesma forma, a discriminação cotidiana, por expor adolescentes a situações de humilhação e exclusão, tende a fragilizar sua autoestima e o senso de pertencimento social, aumentando o risco de ideação suicida (; ; ; ).

O sentimento de pertencimento à comunidade - a vinculação positiva e a percepção de apoio social dos amigos, família e professores, associaram-se negativamente à ideação suicida, com magnitudes fracas a moderadas, indicando seu papel protetivo. Esses achados se alinham a H2 e estão em consonância com a literatura, que destaca o impacto favorável das conexões sociais no enfrentamento de adversidades e na prevenção do comprometimento da saúde mental (; ; ). De modo particular, o apoio familiar demonstrou a maior magnitude de proteção, o que reforça a importância das relações familiares como base afetiva na adolescência (; ; ). Já o sentimento de pertencimento à comunidade, por meio da vinculação positiva parece exercer uma função moderadora diante das adversidades, promovendo acolhimento e identificação social entre pares, melhorando inclusive as interações no cotidiano escolar ().

No modelo de regressão logística, observou-se que adolescentes do sexo masculino apresentaram uma redução de 46% na probabilidade de apresentar ideação suicida, quando comparados ao sexo feminino. Esse resultado confirmou a H3 e é encontrado em outras investigações que demonstram uma maior prevalência de ideação e tentativas entre meninas, ainda que os meninos apresentem maior letalidade nos casos consumados (). A discrepância entre os sexos pode estar relacionada a normas de gênero e estigmas sociais que influenciam a forma de expressar o sofrimento psíquico, levando meninas a relatarem mais a ideação suicida e meninos, socializados a reprimir vulnerabilidades, a subnotificarem esses pensamentos, apesar de apresentarem comportamentos mais letais (; ; ).

Em relação aos fatores de risco, observou-se que o aumento na exposição à violência familiar elevou em 15.5% as chances de ideação suicida entre adolescentes, corroborando a H4 e pesquisas anteriores que identificam a violência intrafamiliar como um dos preditores mais consistentes de diversos problemas psicológicos e comportamentais nessa fase do desenvolvimento (; ; ; ). Situações de negligência, abuso ou intensos conflitos familiares comprometem a regulação emocional, a autoestima e o senso de segurança dos adolescentes, favorecendo o surgimento de pensamentos suicidas (; ). A superação da violência infanto-juvenil requer uma abordagem integrada entre o Estado, a sociedade e a família, por meio de políticas públicas intersetoriais que fortaleçam os vínculos familiares, promovam a saúde mental e garantam educação de qualidade, além de serem apoiadas por campanhas de conscientização, como o Maio Laranja, voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes ().

Além disso, em consonância com a H4, a discriminação cotidiana também se mostrou um fator de risco significativo, aumentando as chances de ideação em 4.4%. Evidências empíricas demonstram que a exposição frequente à discriminação, especialmente por orientação sexual, raça/cor ou condição socioeconômica, está significativamente associada ao aumento de sintomas depressivos, transtornos de ansiedade e sentimentos de desesperança, configurando um importante fator de risco para a ideação suicida, especialmente entre adolescentes pertencentes a grupos sociais historicamente vulnerabilizados (; ; ; ). Tais experiências potencializam reações emocionais intensas e persistentes diante de estressores cotidianos (). Nesse sentido, os achados evidenciam a relevância de estratégias integradas de prevenção da discriminação entre adolescentes, incluindo ações educativas nos espaços escolares, tais como combate ao bullying e à LGBTfobia, promoção de ambientes inclusivos e articulação com movimentos sociais e uso da internet para disseminação de informações e enfrentamento de estigmas ().

Os dados indicaram que cada ponto adicional nos indicadores de pertencimento à comunidade - vinculação positiva e apoio familiar reduziu as chances de ideação suicida entre 7% e 7.5%, respectivamente, evidenciando o papel protetivo de recursos psicossociais na mitigação desse fenômeno. Esses achados se alinham a H5 e encontram respaldo em estudos que destacam o sentimento de pertencimento associado a vinculação positiva como fator de proteção importante, capaz de amenizar e/ou impedir os efeitos negativos de experiências adversas ao promover vínculos significativos e sensação de integração social (; ; ; ). Diferentemente do esperado teoricamente, as relações comunitárias apresentaram efeito marginal e positivo, sugerindo leve aumento de 8% da probabilidade de ideação suicida dos adolescentes. Uma possível explicação para esse achado considera que adolescentes que se percebem mais inseridos nas relações com vizinhos podem, ao mesmo tempo, sentir-se mais observados e cobrados, o que aumenta o medo de julgamento e dificulta pedir ajuda formal para sofrimento emocional. Desse modo, esse conflito entre pertencimento e controle social poderia intensificar a angústia e estar associado, marginalmente, à ideação suicida. Além disso, considerando que a amostra foi composta por adolescentes provenientes de regiões marcadas por vulnerabilidade social, relações comunitárias mais intensas podem também significar maior exposição a problemas e violências no território, como brigas, conflitos interpessoais, tráfico de drogas e violência policial. Essa exposição contínua a contextos adversos, sobretudo quando não acompanhada de suporte emocional adequado, pode contribuir para um aumento marginal da ideação suicida, mesmo na presença de algum senso de pertencimento territorial. De toda forma, o resultado da pesquisa deve ser interpretado com cautela, dado o pequeno tamanho de efeito e o intervalo de confiança estreito (1.001–1.164), assim, futuras investigações deverão dar sequência na análise do sentimento de pertencimento em adolescentes.

A percepção de apoio familiar, especialmente quando envolve relações empáticas, suporte emocional e comunicação aberta, está associada à redução de pensamentos autodestrutivos e à promoção do bem-estar emocional (; ). Portanto, os resultados ressaltam a importância de estratégias intersetoriais que fortaleçam o apoio familiar, os vínculos escolares e comunitários, por meio de oficinas psicoeducativas para estudantes, famílias e comunidades, capacitação de professores e implementação de programas que promovam o apoio entre pares na escola (; ; ).

Assim, os achados do estudo oferecem subsídios para o desenvolvimento de programas de detecção precoce no contexto escolar. Um programa baseado nesse modelo pode incluir rastreamento periódico de indicadores psicossociais associados aos fatores de risco e proteção identificados, com atenção especial às estudantes do sexo feminino. A capacitação de professores, por sua vez, deve priorizar o reconhecimento de sinais indiretos de sofrimento relacionados à violência intrafamiliar, discriminação, isolamento social e enfraquecimento dos vínculos familiares, além do desenvolvimento de competências de escuta, acolhimento e encaminhamento responsável. Adicionalmente, deve-se promover ações escolares voltadas ao fortalecimento do clima escolar relacional, ao enfrentamento da discriminação e à promoção de vínculos positivos entre escola, família e comunidade. Dessa forma, os resultados sustentam intervenções preventivas articuladas, que integrem monitoramento, formação docente e estratégias psicossociais, ampliando a capacidade da escola de atuar na prevenção da ideação suicida.

Conclusões

O modelo indicou que a ideação suicida é explicada por uma combinação de fatores individuais, relacionais e comunitários. A violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana exerceram papel importante como fatores de risco, enquanto o apoio familiar e a vinculação comunitária positiva funcionaram como importantes fatores de proteção. O sexo feminino emergiu como grupo mais vulnerável. Para a prevenção da ideação suicida, é essencial a adoção de estratégias intersetoriais, integrando serviços de saúde mental, educação, assistência social, justiça, saúde pública, apoio familiar e comunitário. Tais ações devem focar na redução da violência intrafamiliar e discriminação cotidiana, promovendo ao mesmo tempo conexões sociais saudáveis e suporte familiar, considerando fatores socioculturais como as normas de gênero, expectativas culturais e estigmas sociais.

Limitações e agenda de pesquisa

Este estudo apresenta algumas limitações. Primeiramente, o uso de um delineamento transversal é a limitação mais importante, porque não permite determinar se a exposição à violência ou à discriminação precedeu a ideação suicida, ainda que se identifiquem correlações significativas e relevantes. Por sua vez, a amostra é de conveniência e provém de uma única região, o que limita enormemente a validade externa, pois os resultados podem não ser representativos de adolescentes de escolas privadas ou de outras regiões e contextos culturais do Brasil. Um estudo longitudinal poderia proporcionar uma compreensão mais detalhada das variáveis investigadas ao longo do tempo. Em segundo, a operacionalização da ideação suicida ocorreu por meio de uma única pergunta dicotômica, que pode ser uma simplificação de um constructo tão complexo em sua configuração psicológica. Desse modo, estudos futuros devem incluir dimensões de análise da variável, como frequência das ideias, conteúdo das ideias, duração da ideia, nível de elaboração (com plano ou sem plano) e vivência emocional durante as ideias. Adicionalmente, o uso de instrumentos de autorrelato pode ter introduzido vieses de resposta, e pesquisas futuras poderiam incorporar múltiplos informantes, como pais, professores e amigos, a fim de oferecer uma visão mais ampla sobre os fenômenos em questão. Embora as variáveis selecionadas tenham demonstrado relações significativas com a ideação suicida, elas explicaram apenas uma porção limitada da variância observada.

Terceiro, apesar do bom desempenho global do modelo e de sua elevada capacidade para identificar corretamente os casos negativos (alta especificidade), a baixa sensibilidade indica uma limitação importante, pois revela dificuldade do modelo em detectar adequadamente os adolescentes que de fato apresentam ideação suicida. Isso significa que uma proporção relevante de adolescentes em risco pode estar sendo classificada erroneamente como não apresentando ideação, o que pode reduzir a utilidade do modelo como ferramenta de triagem ou apoio à tomada de decisão em contextos clínicos, escolares e de vigilância em saúde. Essa limitação é particularmente sensível no campo da prevenção do suicídio, no qual a prioridade é justamente a identificação precoce dos indivíduos mais vulneráveis. Além disso, a baixa sensibilidade sugere que os preditores incluídos no modelo, embora relevantes, não capturam de forma suficiente a complexidade do fenômeno da ideação suicida, que envolve dimensões subjetivas, emocionais, relacionais e contextuais dificilmente apreendidas por variáveis secundárias e estruturais. Em estudos futuros, deve-se incluir variáveis que investiguem a experiência subjetiva dos adolescentes (por exemplo, desesperança, estratégias de enfrentamento, regulação emocional, sofrimento psíquico), qualidade dos vínculos afetivos, eventos estressores recentes, transtornos mentais, abuso de substâncias e bullying/cyberbullying. Portanto, o modelo apresentado não deve ser utilizado de forma isolada como instrumento de rastreamento, sob risco de subdetecção de casos. Seu uso deve ser complementar a estratégias mais amplas de escuta qualificada, acompanhamento longitudinal, observação clínica e ações intersetoriais no território escolar, familiar e comunitário. Assim, embora o modelo ofereça contribuições importantes para a compreensão dos fatores associados à ideação suicida, sua capacidade preditiva limitada para identificar casos positivos exige cautela quanto à sua aplicação prática direta.

De maneira complementar, estudos subsequentes poderiam expandir a análise, incluindo outras variáveis sociodemográficas, como orientação sexual, aspectos éticos-raciais, nível socioeconômico e exposição a outros tipos de violências interpessoais, conforme relatado pela OMS como fatores de risco para a ideação suicida. De fato, o controle de variáveis como nível socioeconômico, raça/etnia ou orientação sexual são fatores de risco para a ideação suicida e para a discriminação, sendo que sua ausência pode estar superestimando o efeito de outras variáveis. Por fim, é importante destacar que os dados foram coletados no primeiro semestre de 2022, um período marcado pelo retorno das atividades presenciais nas escolas após dois anos de pandemia de Covid-19, o que pode ter influenciado as respostas dos participantes.

Finalmente, como contribuição original, destaca-se a inclusão simultânea de variáveis de risco e proteção em um modelo preditivo com estudantes da rede pública de ensino. Esses achados oferecem subsídios importantes para a formulação de políticas públicas e práticas de promoção de saúde mental, voltadas à redução da ideação suicida e ao fortalecimento dos fatores protetivos em contextos escolares marcados por vulnerabilidade social. Ações que combatem a violência intrafamiliar e a discriminação cotidiana nos espaços escolares, ao promoverem apoio social e o sentimento de pertencimento à comunidade escolar, familiar e comunitária, podem reduzir a incidência de ideação suicida em estudantes. Além disso, estratégias de sensibilização e informação da comunidade escolar sobre a prevenção da ideação suicida e comportamentos relacionados são fundamentais para promover o bem-estar mental dos estudantes a longo prazo.

Financiamento

Este estudo recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil (Processo nº 302017/2022-4).

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